Menor estado, melhor estado ou talvez não

"A TDT devia ser subsidiada pelo Estado"


Os operadores de telecomunicações manifestaram-se ontem cépticos quanto à sustentabilidade da televisão digital terrestre (TDT) em Portugal, embora tenham reconhecido que o projecto vai trazer vantagens para os consumidores. A necessidade de "a TDT ser subsidiada" para que se torne um modelo de negócio sustentável foi a principal ideia que saiu da conferência "A Sociedade de Informação e os Desafios da Televisão Digital Terrestre", que ontem juntou, em Lisboa, responsáveis da comunicação social, da Comissão Europeia (CE) e de operadores como AR Telecom ou a Portugal Telecom. Apesar de terem sido convidados, a Media Capital e a SIC, que já disseram querer entrar no concurso da TDT para a licença de um novo canal, não estiveram presentes.

"O modelo dificilmente terá sustentação económica, porque existe uma capacidade reduzida de serviços da frequência TDT, porque o mercado português publicitário é diminuto e porque existe uma concorrência elevada das actuais plataformas de pay TV (cabo, satélite e IPTV-televisão sobre linha telefónica)", defendeu João Martins, da AR Telecom, alertando para a necessidade de o Governo dotar o modelo de TDT "com ferramentas competitivas". E deu exemplos: "Agregá-lo a uma oferta triple play [TV, voz e dados] e potenciar as aplicações da TV Móvel." No entanto, João Martins avisou: "É necessário que se tomem decisões já", um apelo que tinha sido feito por Beatrice Covassi, da Comissão Europeia (CE).

Helena Féria, da PT, apontou as vantagens para o consumidor (guia electrónico de programas, melhor qualidade, alta definição), mas alertou que a TDT tem a desvantagem de "o mercado de televisão em Portugal estar em vias de saturação". E avisou o Governo que "as regras do concurso devem ser claras para que sejam elaborados planos económico-financeiros consistentes".

Durante o debate, vários intervenientes, como Jacinto Ramos, disseram que a TDT, para ter sucesso, devia ser subsidiada, como foi no Reino Unido. E a advogada Magda Cocco, que fez uma exposição crítica" sobre a adaptação da lei à TDT, disse que o apoio do Estado "seria o desejável".

"A TDT já falhou uma vez em Portugal, esta é a nossa última oportunidade", disse a causídica, que considerou "deselegante" que a CE pressione os países para o switch of (passagem do analógico ao digital até 2012), mas "depois não permita apoios do Estado".

Eduardo Cardareiro, administrador da Anacom (regulador), lembrou que "não existe um modelo de negócio, porque cada país adoptou o seu". E defendeu que o Governo não pode especificar todas as regras do concurso para "não tirar a criatividade aos operadores" que vão apresentar propostas no concurso de 2008 - (Controlinveste, Imprensa, RTP, Media Capital, Sonaecom e Cofina).

Por Inês David Bastos in Diário de Notícias

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